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O que são e quem fabrica os vírus de computador?

Hoje em dia, praticamente tudo é feito com a ajuda de um computador. Desde um simples trabalho escolar até a transferência de milhões de dólares de um banco para outro, passando pela lista de compras do supermercado feita pela Internet. Os exemplos são muitos. E qualquer usuário dessa máquina, tão indispensável no dia-a-dia, já ouviu falar nos temidos vírus. Mas por que eles são tão assustadores assim? Qual o mal que causam de fato e, por fim, como se proteger dessa praga?

O modo mais simples para começar a entender como atuam os vírus nos computadores é fazer uma comparação com os vírus biológicos, que afetam a saúde dos seres vivos. Foi justamente tal semelhança, inclusive, que motivou a adoção da mesma nomenclatura. Afinal, as pragas da informática agem da mesma maneira que os vírus biológicos, que se alojam no homem ou animal 'sem permissão', causando danos a órgãos e os deixando debilitados.

"Vírus são programas maliciosos, cuja proposta não está casada com os interesses do usuário. É um programa executado no computador, acionado dentro da máquina sem a permissão de quem o manuseia", resume o professor de Ciências da Computação do Centro Universitário Municipal de São Caetano (IMES) Mario Eugenio Langato. Ou seja: os vírus são como outro programa qualquer, com milhares de linhas de código, mas desenvolvidos para alterar nociva e clandestinamente um microcomputador.

Ainda na mesma comparação: o vírus procura um janela aberta (no caso do homem, um indivíduo doente e, na máquina, uma falha de programação) para atuar. Depois de entrarem no hospedeiro (por disquete ou via e-mail), os vírus multiplicam-se, esperam o momento certo para o ataque e tentam se esconder para não serem exterminados.

Atualmente, as falhas mais exploradas são as do Windows, por ser o sistema operacional mais utilizado no mundo. "Ele é formado por mais de 11 milhões de linhas de código. É como uma colcha quilométrica. Vai ter algum ponto dela mais frouxo. E os programadores criam vírus para entrar por essas pequenas falhas", explica Langato.

Mas, afinal, por que alguém cria um vírus e como isso é feito? Segundo o professor do IMES, há uma série de níveis e rótulos para os "fabricantes de vírus", sendo mais comuns os títulos hacker, cracker e lammer.

Langato explica que o primeiro, o hacker, é a pessoa que conhece a engenharia da computação e seus sistemas (softwares). "Ele tem muito conhecimento de rede e sabe tudo de programação. É o engenheiro que cria ferramentas de invasão e programas maléficos. Entre eles as ferramentas de espionagem, pelas quais se pode descobrir o que uma pessoa do outro lado do mundo faz em seu computador", detalha Lagato.

 
MÁ NOTÍCIA: FELIZ ANIVERSÁRIO!

Segundo o professor do IMES Eugenio Langato, um dos primeiros vírus surgiu de uma brincadeira de um programador da fabricante de computadores Apple. "Ele criou um programa com um código específico e o instalou nos computadores da Apple. A ordem era para que, no aniversário de fundação da empresa, fosse acionado um comando que enviaria uma mensagem para as impressoras e elas imprimissem uma página com a frase Happy Birthday (Feliz Aniversário, em inglês)", conta Langato.

Isso aconteceu na década de 80 e o maior estrago foi o gasto de algumas folhas a mais. Porém, a notícia se espalhou e fez pipocar idéias nas cabeças maldosas. "Logo depois veio o vírus Ping-Pong, em que uma bolinha ficava para lá e para cá na sua tela. Também não era maléfico, mas já atrapalhava", explica Langato. "É com nos filmes em que há o mocinho e o bandido. A mesma arma que pode salvar a humanidade, como um remédio poderoso, pode se transformar num veneno".

Há ainda indicações de que a primeira notificação sobre a existência de um vírus tenha ocorrido em 10 de novembro de 1983, nos Estados Unidos. Naquela data, Fred Cohen, estudante de Ciência da Computação da Universidade da Califórnia, relatou a participantes de um seminário sobre segurança a ação de uma praga criada por ele.

Cohen, funcionário da fabricante de minicomputadores Vax, escondeu um vírus dentro de um programa gráfico chamado VDO. Segundo ele, em menos de cinco minutos todos os dados contidos em uma das máquinas da empresa foram apagados. No dia de sua palestra, ele avisou que os vermes (outra nomenclatura dada aos vírus) se tornariam algo comum em pouco tempo. A previsão se confirmou.

É justamente nesse ponto que entra em ação o lammer. "Esse indivíduo sabe tudo de Internet, mas não sabe programar os códigos. Então ele pega o que já está pronto, feito pelo hacker, para invadir sites de empresas e disparar os vírus pala Web", diz o professor do IMES. Traduzindo: ele leva o programa criado pelo hacker ao seu destino final.

Ainda sobre os criadores de pragas, é importante ressaltar a diferença entre os hackers e crackers. Pela definição de Langato, o primeiro pode ser identificado como o tradicional "malandro" e, o segundo, como o "ladrão" de fato.

Pense na seguinte situação: alguém conta que entrou na sua casa, abriu na geladeira, mexeu nas suas gavetas e viu como é seu banheiro. Porém, não roubou ou destruiu nada. Uma segunda pessoa, no entanto, conta a mesma coisa, mas confessa que comeu sua comida, pegou suas jóias e estragou seus móveis. "A primeira descrição é o perfil de um hacker. Ele quer apenas provar que é bom, que conseguiu invadir seu site ou computador. A meta dele, a filosofia, é superar novos desafios. Já o cracker tem objetivos maldosos", detalha Langato.

Reportagem: Camila Marques

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Segurança Microsoft
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Em 2003, os dez grupos mais ativos de criminosos da Internet do mundo eram brasileiros, de acordo com a mi2g, uma consultoria de risco digital de Londres. Até dezembro do ano passado, quase 96 mil ataques pela Internet foram rastreados como vindos do Brasil

Segundo estudo da Associação da Indústria de Tecnologia e Computação, o homem é a principal causa de vulnerabilidades nas empresas: 63% das falhas de segurança são causadas pelos funcionários, enquanto apenas 8% têm razões puramente técnicas

Em 1996, a porta de entrada dos conteúdos maliciosos nos PCs eram os disquetes, que respondiam por 74% das infecções. Desde 2000, porém, os e-mails são os principais agentes. Em 2003, foram responsáveis por 97% da incidência de vírus