Cuidado com as doenças típicas do verão
Do Diário OnLine
Enfim, chegou o verão. Junto com o calor, piscinas e praias lotadas, roupas leves e corpinho bronzeado, também chega o perigo das doenças que se proliferam nesta época do ano. Mesmo sabendo disso, poucos se preocupam com os cuidados básicos necessários, principalmente com a pele, a higiene e a alimentação, o que pode arruinar a estação mais esperada do ano.
Para que isso não aconteça, a farmacêutica responsável pela FarmaIMES (Farmácia da Universidade Municipal de São Caetano do Sul), Cristina Vidal, alerta que as doenças mais comuns do verão, como as micoses generalizadas, bicho geográfico, insolação e, a mais perigosa delas, o câncer de pele, podem ser facilmente evitadas, basta que todos atentem aos pequenos detalhes. “Na maioria dos casos, o cuidado depende unicamente da pessoa. Portanto, todos, sobretudo os responsáveis por crianças, devem estar sempre alertas às regras, que estão cansados de ouvir, mas nunca seguem: cuidado com o sol excessivo, a necessidade de proteger a pele, a importância da higiene e a forma adequada de se alimentar durante esta estação. É simples, basta seguir algumas dicas para garantir diversão e saúde no verão”.
Micoses generalizadas
Cristina explica que as micoses, em geral, são infecções causadas por fungos e podem contaminar qualquer pessoa que não esteja prevenida. “No verão é muito comum a incidência de micoses. É um período durante o qual várias pessoas freqüentam praias impróprias para banho e com a areia contaminada ou piscinas lotadas onde, nem sempre, é possível manter 100% de higiene”. Neste caso, a profissional ressalta a importância de não manter contato direto com o solo úmido e quente. “Andar, sentar ou deitar, só se o local estiver protegido”, adverte.
Mas, de acordo com o dermatologista Rinaldo Nikita, além das alterações do ambiente, o próprio organismo humano pode favorecer o aparecimento das micoses. “É preciso atentar ao fato de que as pessoas obesas, que transpiram excessivamente, que usam roupas e sapatos impermeáveis, que tenham algum ferimento na pele, que estejam desnutridas ou com algumas doenças como diabetes, problemas de circulação, AIDS e câncer, geralmente são as maiores prejudicadas e adquirem micoses com mais facilidade”.
Segundo o médico, há dois tipos de micoses: as superficiais, que afetam camadas superficiais da pele e mucosas, unhas e cabelo; e as profundas, que podem chegar a atingir órgãos internos do corpo. Nikita afirma que, na maioria dos casos, as micoses são fáceis de serem tratadas. “Para tratar uma micose, os medicamentos podem ser via oral ou local. Há diversas pomadas eficazes, porém, o mesmo tipo de micose pode se manifestar de maneira diferente em cada pessoa. Portanto, é indispensável a orientação de um dermatologista, somente um profissional especializado na área poderá decidir a melhor forma de tratamento”.
COMO RECONHECER AS MICOSES |
Na pele : A pele do corpo fica alterada, há o aparecimento de manchas brancas, escamações e fissuras;
No pé: Mais conhecida como frieiras e pé-de-atleta, as micoses na pele entre os dedos dos pés também provocam coceiras, pequenas fissuras e aspecto descamativo;
Nas unhas: Neste caso, as unhas parecem descolar da carne, perdem o brilho e, na maioria das vezes, ficam esfarinhadas;
Micoses profundas : Merecem atenção especial. Em caso de corrimento vaginal nas mulheres, um médico deve ser procurado com urgência. |
Bicho geográfico
“Esse tipo de doença é adquirida nas praias onde as pessoas insistem em levar os cachorros ou gatos para passear. Os animais defecam na areia e os ovos dos vermes, que precisam de local úmido e quente para se desenvolver, transformam-se em larvas e p enetram na pele assim que as pessoas pisam, sentam ou deitam no local infestado”, explica a farmacêutica Cristina Vidal.
A doença (chamada de Larva Migrans Cutânea ou dermatite serpinginosa) recebeu o nome de bicho geográfico porque a larva parece caminhar dentro da pele desenhando todo o corpo, como se fosse um labirinto.
De acordo com Cristina, as larvas se mantêm vivas por um longo tempo, começam a caminhar no corpo e causam bastante desconforto, forte coceira e irritações pequenas e salientes, de cor vermelho escuro, no local onde passam. “A advertência é que nada seja feito sem a orientação de um especialista”.
COMO EVITAR O BICHO GEOGRÁFICO |
Os especialistas listam algumas dicas essenciais para evitar a doença:
- Primeiramente, é necessário que os donos de animais se conscientizem e não os levem para passear nas praias, em praças públicas ou outros locais onde há calor e umidade no solo;
- Os visitantes também não devem ficar descalços, sentar ou deitar diretamente no solo. Basta estender uma toalha no chão;
- Não deixar que as crianças brinquem na areia ou em locais quentes e úmidos, sem que estejam minimamente protegidas. Como no verão usa-se apenas roupas leves o melhor é levá-las para brincar em um local limpo e fresco.
|
Insolação
Devido à exposição direta e prolongada aos raios solares durante o verão, a pele merece cuidados especiais. De acordo com o dermatologista Rinaldo Nikita, qualquer pessoa que fica muito tempo exposta ao sol sem utilizar filtro ou bloqueador solar pode ser vítima de insolação. “É muito comum que isso aconteça, principalmente com as crianças que não estão acostumadas a permanecer muito tempo no sol. Portanto, no verão, todo cuidado com a pele é pouco”.
A insolação é muito perigosa, e, segundo Nikita, é uma doença fácil de ser detectada, pois causa muita sede, suor excessivo, aumento de temperatura do corpo, bolhas, desidratação, dor de cabeça acentuada, tontura, dificuldade para respirar, mal-estar e vômito.
“O alerta é sempre o mesmo: não se deve aplicar nenhum medicamento no corpo sem orientação de um especialista, isso pode piorar as coisas. Caso percebam sintomas como os mencionados, procurem rapidamente um posto médico para que um profissional possa indicar o melhor tratamento. Agindo desta maneira, a vítima sofrerá menos e se recuperará rapidamente”, ressalta o dermatologista.
PRIMEIROS SOCORROS EM CASOS DE INSOLAÇÃO |
Enquanto a vítima não recebe cuidados especiais de um médico, alguns procedimentos podem ser seguidos:
- Mantenha-a em repouso e com roupas leves;
- Para baixar a temperatura podem ser colocadas compressas geladas sobre a cabeça e toalhas molhadas podem envolver o corpo;
- Em caso de parada respiratória, deve se iniciar a respiração boca-a-boca;
- Se a pessoa apresentar ausência de pulso e dilatação das pupilas, executar a massagem cardíaca externa associada à respiração de boca-a-boca.
|
Reportagem: Rita Donato
LEIA TAMBÉM:
Previna-se contra o câncer de pele
Como se alimentar no verão?
Viagens: todo cuidado com o veículo é pouco
|